Não posto há algum tempo, como é fácil de perceber. Acontece que estivesse refletindo sobre o meu blog e as razões de sua existência, e cheguei à conclusão de que ele precisa passar por certas mudanças. Ainda não amadureci essas idéias - em bom português, ainda não sei o que quero fazer dele.
Assim que souber, avisa-los-ei.
Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Sinal dos tempos
Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
Momentos
Desculpem-me, mas não consegui conter a emoção:
Morre o Sen. Antônio Carlos Magalhães (a.k.a. Toninho Malvadeza)
O senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) morreu às 11h40 de hoje, aos 79 anos, em São Paulo, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. ACM estava internado no InCor-SP (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas, desde o dia 13 de junho, quando deu entrada para tratar de complicações renais e cardíacas.
O corpo do senador será velado no Palácio da Aclamação, em Salvador (BA). Tradicionalmente, o Senado oferece o Salão Negro do Congresso para o velório dos senadores. Mas a família prefere que ele seja velado junto ao seu reduto político, na Bahia. O enterro será feito amanhã, às 18h, no cemitério Campo Santo, também em Salvador.
No começo deste mês, ACM apresentou complicações gástricas. No seu período de internação, ele apresentou oscilações entre melhoras e agravamento do estado de saúde.
A Folha Online apurou que ele teria tido uma parada cardíaca na madrugada desta sexta-feira. A informação foi transmitida aos parentes e amigos próximos de ACM. A pedido da família do senador não foi autorizada divulgação de informações sobre seu estado de saúde.
O senador, que completaria 80 anos em 4 de setembro, deixa a mulher, Arlete, e os filhos Antonio Carlos Magalhães Júnior e Teresa Helena Magalhães Mata Pires. Outros dois filhos de ACM já morreram: Luís Eduardo Maron de Magalhães e Ana Lúcia Maron de Magalhães.
Complicações
O estado de saúde do senador começou a se complicar neste ano, a partir de março, quando o político ficou internado para se curar de uma pneumonia e de uma disfunção renal. Desde então, ACM vinha se submetendo a check-ups de rotina todo mês.
Em abril, o senador foi internado no InCor com insuficiência cardíaca. No final de maio, o parlamentar sentiu-se mal no Senado e chegou a cair em frente ao seu gabinete. Na ocasião, ele foi submetido a uma série de exames no InCor.
Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Sete faces - parte VII
Eu não devia te dizerPenso que se até hoje não manifestei talento para a poesia é porque não tenho nenhum. Escrevi um ou outro poema, como quase todo mundo já fez, mas meu senso crítico não me permite que os publique - nem mesmo num blog com pouco mais de 2 leitores.
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
(Poema das Sete Faces - Carlos Drummond de Andrade)
Só me resta, assim, a prosa. Muitas vezes, porém, ela é quase que obscenamente inadequada. Este, talvez, seja um desses momentos. Mas, enfim, é o que me resta. Conto com o absinto pra me ajudar, pois do contrário o fracasso é certo.
Mais uma vez, meu objeto são as escolhas. É um tema recorrente na minha vida. Também, não haveria de ser diferente - o que é a vida, afinal, se não escolher, optar, diante das situações que o mundo nos apresenta, por fazer uma coisa ou outra?
Comecei a ler essa semana Grande Sertão: veredas, do Guimarães Rosa. Na introdução da edição que comprei (Editora Nova Fronteira, capa roxa) um comentador faz uma interpretação do título que achei muito atraente. O grande sertão do título não seria apenas o local onde se passa a ação do livro, mas a própria vida. As veredas seriam os caminhos traçados na vida, um sertão de possibilidades.
O sertão como metáfora da vida é uma imagem pouco alentadora. Em outras oportunidades, a vida já foi definida como um vale de lágrimas. Fora o fato de que um sertão é bastante seco, ao contrário de um vale de lágrimas, me parece que as duas observações não divergem muito.
Vale de lágrimas ou sertão, definitivamente viver é um jogo perigoso. Isso, aliás, também copio de Grande Sertão: Veredas - o personagem principal, Riobaldo, muitas vezes, diz que "viver é perigoso". Quero dizer: somos atirados nesse mundo, nesse sertão, nesse vale de lágrimas, com nossas cabeças limitadas e rídiculas e nossos corações frágeis (e ridículos também) e de nós esperasse o quê? Que sejamos bons amigos, namorados, profissionais, etc? Francamente, não dá pra exigir que alguém nessa situação faça mais do que simplesmente tentar sobreviver, escapar mais ou menos ileso do sertão da vida. Todo mundo sabe, porém, que ninguém sobrevive à vida.
O que isso tem a ver com a questão das escolhas, vocês me perguntariam. Eu respondo: penso que, ao tomarmos decisões, não estamos fazendo mais do que simplesmente tentar nadar nesse vale de lágrimas. É claro, ninguém duvida, toda esperança é vã - ao final, nos afogaremos. Mas o que vai se fazer: é isso ou simplesmente deixar-se afundar. E nós, humanos, somos criaturas orgulhosas - jamais aceitariamos destino tão vil sem lutar contra ele.
Tanto melhor. Não fosse assim, eu não teria sobre o que escrever.
Quinta-feira, 12 de Julho de 2007
Poesia nunca é demais
Mundo Grande (Carlos Drummond de Andrade)
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
Terça-feira, 22 de Maio de 2007
Inquietação existencial n.º 5
O único ser livre que se conhece é o homem. Não é preciso que se defina liberdade em mais que linhas gerais pra que se chegue a essa conclusão. Basta fazer um raciocínio por oposição - em termos de agir, o oposto de livre é condicionado. E o homem é único animal cujo aspecto não-condicionado da vida é significativo.
Essa observação leva ao ponto central da questão - tomar uma decisão cria responsabilidade. Tão importante quanto ser responsável perante os outros é ser responsável perante nós mesmos. Talvez seja esse aspecto que torne a necessidade de tomar decisões mais torturante.
Creio que perdoar-se é mais difícil que ser perdoado. As pessoas à nossa volta entendem o peso da responsabilidade, e sabem que culpar alguém é um ato que beira a crueldade. Porém, costumamos ser bem menos lenientes com nós mesmos. Basta as coisas darem errado e passamos s nos perguntar quanto a por que não fizemos de outra forma. Isso me acontecia praticamente uma vez por semana quando morava em Londres.
O tempo, e a experiência que dele advém, nos tornam menos suscetível a isso. Por um lado, nos convencemos de que é inútil ficar se torturando pelas escolhas que fizemos; por outro, que em geral as coisas dependem menos de nós do que acreditamos e, portanto, temos menos motivos para culpar-nos. Mas, como tenho só 23 anos, ainda não cheguei nessa fase.
Pra que não me consuma em dúvidas existenciais, sigo outro caminho. Penso muito antes de fazer as coisas. Evito decisões apressadas. Isso, porém, não resolve a questão - pois, em geral, as limitações da minha capacidade cognitiva não permitem que, no momento em que é necessário, eu encare o problema de todos os seus ângulos - e ainda tem um efeito colateral: costumo demorar para me decidir, e nem sempre dispomos de tempo.
Me consola - mas não muito - saber que esses dilemas são inerentes ao ser humano, e todos sofrem com eles. Espero apenas que, assim como para outros, o tempo me ajude a supera-los.
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007
Assunto aleatório n.º 6
Muitas pessoas já tiveram problemas com as companhias telefônicas. Diante de uma cobrança indevida ou coisa que o valha, ligam para a empresa e, se têm sorte, falam com alguém. A única resposta que recebem, porém, invariavelmente, é desculpe-me, senhor(a), mas infelizmente não é possível ajudá-lo(a). É impressionante, parece que nada é possível para eles.
Diante dessa situação, algumas pessoas procuram o Judiciário. Quase sempre ganham, é verdade. Mas uma grande parcela acaba não fazendo nada. Entrar na Justiça pode dar trabalho e ser bastante chato - tem que ir no Foro, depois ir na audiência, etc.
Lesar o consumidor, então, passa a valer a pena para as empresas. O dinheiro que elas gastam com os processos daqueles que se prestam a processa-las é ínfimo perto do que lucram com os que não fazem nada.
Recentemente, porém, descobri uma solução extremamente eficiente. Não dá trabalho nenhum e os resultados são garantidos. Trata-se de telefonar para a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) e fazer uma reclamação. Simples assim - liga-se pra eles e relata-se o acontecido.
Recentemente a NET tentou cobrar da minha namorada por um serviço que não havia sido solicitado. Após diversas tentativas frustradas de convencê-los a não cobrar o valor, ela disparou: então eu vou ligar pra ANATEL. A atendente da NET disse que não seria necessário e apresentou a solução. Simples assim. Nem ao menos precisou ligar para a ANATEL.
Precisamos conhecer os canais que o sistema nos oferece para fazer valer os nossos direitos. E precisamos, também, acabar com esta festa das empresas de telefonia, que operam à margem da legalidade, abusando de seu poder econômico e da relevância social dos serviços qure prestam.
Então, pra finalizar, forneço os contatos da ANATEL.
0800-332001
Atendimento Eletrônico
ANATEL em PoA: Rua Princesa Isabel, nº 778, Santana – CEP 90620-000 - Porto Alegre/RS
Em tempo: imagino que as coisas funcionem da mesma forma com as empresas da fornecimento de energia elétrica. Não tentei, mas acho que é possível. Pra esses casos, a autoridade seria a ANEEL.
Terça-feira, 15 de Maio de 2007
Futuro do pretérito
Quem diria que eu um dia citaria um cara que assinou o AI-5. Pois aí está: a coluna do Delfim Netto no Valor Econômico desta terça-feira. Interessante para lembrar que, por mais que venhamos a resolver os problemas atuais do Brasil, isso apenas criará outros problemas. Pensemos nisso.
É fato inegável que a qualidade da análise econômica tem melhorado muito no Brasil. Esse aperfeiçoamento não se restringe à academia. Esta aumentou sua inclinação para enfrentar problemas práticos com um enfoque quantitativo e, lentamente, faz concessões à sua arrogância pretensamente científica, protegida por uma linguagem que a tornava inacessível à crítica leiga. Abandona o "divertissement" regado a letras gregas praticado entre confrades, para "meter a mão na massa". Tenta mostrar que a taxa de retorno dos investimentos que a sociedade lhe ofereceu valeu a pena. Por outro lado, a qualidade da crítica econômica realizada pela mídia sofreu uma verdadeira revolução e nada fica a dever às análises da imprensa internacional.
É esse duplo movimento que explica o aprofundamento do debate sobre o mais notável evento que estamos vivendo, a surpreendente evolução da taxa de câmbio. As conseqüências dessa evolução sobre a economia são imensas. De fato, ela pode determinar o "desenho" da estrutura produtiva nacional no futuro: como evoluirão a produção agrícola, industrial e de serviços, como se desenvolverá o mercado interno e, mais importante do que tudo, como se reduzirá o trágico desperdício que é o altíssimo desemprego que hoje ataca o coração da nossa estrutura demográfica.
Esta preocupação deve preterir todas as outras, por suas implicações políticas ainda mais do que econômicas. O Brasil é hoje um país com quase 190 milhões de habitantes, com taxa de crescimento demográfico decrescente, mas ainda vigorosa. Seremos 227 milhões de almas em 2025, distribuídas entre centros urbanos (88%) e rurais (12%), contra hoje, respectivamente, 84% e 16%. O mais importante é que haverá profunda mudança na estrutura etária, como se vê abaixo:

A população de 15 a 65 anos passará de 123 milhões, em 2006, para 153 milhões em 2025, com um crescimento de 1,2% ao ano. A continuação das políticas públicas que estão aumentando a igualdade de oportunidades, aperfeiçoando o ensino e atendendo melhor à saúde, exigirá forte ampliação do emprego e melhora de sua qualidade. E isso só poderá ser feito pela aceleração do crescimento apoiado num forte mercado interno.
Para colocar o problema corretamente, é preciso, desde logo, eliminar a objeção ignorante que as exportações agrícolas são portadoras de baixa tecnologia. Pelo contrário: a agricultura tropical brasileira é produto da mais alta tecnologia , desenvolvida pelo Estado e pelo setor privado. Os ganhos de produtividade da agricultura continuarão a reduzir a demanda relativa de mão-de-obra do setor e a expulsar cidadãos que terão de encontrar emprego nos centros urbanos.
É pouco provável que a maior expansão das exportações de produtos agrícolas ou minerais poderá acomodar o aumento da população trabalhadora nos próximos 20 anos. Logo - não apenas para pagar as necessárias importações - será necessário um forte impulso no setor industrial e na prestação de serviços externos para sustentar o mercado interno.
Este é o problema. Os que defendem que "a taxa de câmbio é o resultado natural de um fenômeno natural", produzido pelo ajuste mundial dos mercados, têm de acertar suas contas com o futuro. Têm que "explicar" como a "mão invisível" do mercado, comandada por Wall Street e seus magníficos "hedge funds", vão acomodar os milhões de brasileiros mais velhos, mais educados e mais saudáveis, que exigirão, nas urnas, o seu "direito de trabalhar".
É preciso deixar de tergiversar e confundir as coisas: o que se discute é a "super" valorização do real, produzida pelo imenso diferencial entre o juro real interno e externo combinado com um dos sistemas financeiros mais sofisticados do mundo e, não, a valorização "natural" do real diante do quadro mundial. É difícil ignorar o efeito do "carry trade" sobre as moedas que produzem maiores retornos. Nada melhor do que ler dois artigos sobre o assunto no "BIS Quarterly Review", de março de 2007, ou o interessantíssimo "Global Viewpoint nº 7/15", de 10 de maio de 2007, do